Grada Kilomba
O Fundo do Mundo
Grada Kilomba, uma das artistas portuguesas mais relevantes da sua geração, apresenta na Albuquerque Foundation a sua primeira grande exposição individual em Portugal em quase uma década. Reconhecida pela sua prática subversiva e singular de storytelling, Kilomba dá corpo, voz, forma e movimento a histórias silenciadas. “Que histórias são contadas? Onde são contadas? Como são contadas? E por quem são contadas?”. A exposição reúne uma seleção significativa de obras, incluindo peças nunca antes apresentadas no país.
Sobre a Exposição
Com um corpo de trabalhos que abrange instalações de grande escala, esculturas, vídeos e performances, Grada Kilomba aborda de uma forma marcante e poética os conceitos de memória, trauma, violência e repetição. Na exposição O Fundo do Mundo a artista contempla uma cenografia do futuro, na qual levanta uma inquietante e urgente questão filosófica, que se entrelaça tanto nas suas obras como materialidades: O que o fundo do mar nos diria amanhã, se esvaziado de água hoje?
Kilomba convida a imaginar uma paisagem futurística onde o fundo do mundo é um lugar de memória. O leito dos oceanos é um arquivo de sedimentações e transformações geológicas, mas também um repositório de rotas e rastros de atividades humanas, muitas vezes bárbaras e violentas – da escravatura ao colonialismo, das múltiplas guerras às crises climáticas, e atuais genocídios trágicos, o fundo do mar acolhe múltiplos corredores de corpos humanos, revelando a Natureza como o arquivo da existência humana.
A fragilidade de materiais como o vidro e o tecido de algodão quase transparente choca, em sua obra, com a resiliência da pedra e a memória silenciosa de madeiras queimadas e cortadas, que deixam rastos de centenas de anos. Atravessando e moldando os materiais, de maneira ora sublimada, ora direta, a palavra escrita, cantada ou apenas aludida, é outro dos elementos recorrentes na obra comovente e inspiradora de Kilomba, refletindo a amplitude de seus interesses e sua formação académica.